segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Cartier-Bresson - Vai!





Exposição de Henri Cartier-Bresson. São 133 imagens absurdas, impressionantes, e não dá pra dizer o que é mais interessante. Se os retratos, os flagrantes de rua, ou os grandes acontecimentos da histÓria, fotografados com um olhar absolutamente perspicaz e sensível. Creio que a grande diferença entre ser fotógrafo e ser fudido mesmo é a sensibilidade. Além disso, com 133 fotografias e pelo tipo de trabalho, dá pra ter uma bela noção de parte do século, pois grandes fatos estão documentados a partir de 1931 e os cotidianos estão lá de forma poética, retratando a realidade da época.
O SESC Pinheiros foi outra bela surpresa, o lugar é sem dúvida uma grande opção. Cheio mas sem filas, organizado, com silêncio, e muita educação de todos (talvez por um momento de sorte, mas enfim). A única questão é que com tamanho silêncio, a exposição não é exatamente ´children´s friendly´ e os nossos, que naquele momento nos brindaram com muita paz, não foram silenciosos o suficiente para competir com o barulho das moscas. E óbvio, o olhar lançador de chamas de uma japa que fica na porta controlando a entrada dos visitantes no segundo andar (e parte maior da exposição) constrangeram um bocado.
Vai lá, sem filhos, e com tempo.

Exposição Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo
Sesc pinheiros - Paes Leme, 195. Pinheiros, São Paulo
Área de exposições, Térreo e Sala de oficinas, 2º andar
Visitação de 17 de setembro a 20 de dezembro 2009
Terças a sextas-feiras, das 10h30 às 21h30; sábados, domingos e feriados, das 10h30 às 18h30

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Coraline


Adoro animações. Adoro mais ainda poder me divertir acompanhando as crianças em filmes que também agradam aos adultos.
Ontem assisti a Coraline, uma super animação absurda do ponto de vista de qualidade. Além da história é claro, que trata de uma menina que se muda com seus pais para a zona rural do fim do mundo e vai morar num lugar chamado Pink Palace Apartments. Que além de ser quase um daqueles castelos engraçados de filmes de assombração, é divido com duas atrizes aposentadas e um ex-acrobata. Mas a história começa com a descoberta de uma pequena porta em um dos andares da casa que liga a vida dela a uma nova, que não necessariamente é um conto de fadas. O filme é cheio de beleza e muitos sustos. Muitos mesmo, inclusive em doses exageradas para qualquer pessoa que tenha pesadelos freqüentes (meu caso). Pra mim é um filme de terror com uma roupinha de filme descolado para crianças, que todo mundo levaria seus sobrinhos e filhos. Enquanto assistia, me peguei pensando varias vezes que terror mesmo deve ser passar a noite numa casa com crianças que tenham visto o filme.
Vale a pena, se você é adulto com qualquer gosto. Se você pensava em levar alguém com menos de 12 anos, sinceramente nem considere. Pelo menos se não quiser ter que jogar todas as bonecas de pano da casa no lixo.

Melhor ver o trailer

http://www.youtube.com/watch?v=LO3n67BQvh0

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O paraíso é aqui



Nåo dá pra acreditar, mas existe um lugar assim. Como este aqui, onde estamos agora.
A 14 km de Gramado, na Serra Gaúcha, no final de uma estrada de terra, de boa qualidade diga-se de passagem, está localizada esta maravilha. Såo oito chalés, todos feitos com peças escolhidas cuidadosamente de antigas casas de colonos da regiåo. Alemåes e italianos, que vieram pra cá na segunda guerra sem nada, entåo fundiram seus utensilhos, construíram suas casas, plantaram muito, e deram origem a grande parte de nossos ancestrais. Aliás história essa que enche de orgulho o povo gaúcho, e nem vou me estender muito, porque quero mesmo é falar do La Hacienda.
Estes oito chalés feitos de materiais de demoliçåo eståo no meio de uma chácara absolutamente espetacular. Com uma natureza esplendorosa, que nesta época ainda oferece chuvinha e aquela névoa baixa, típica do Sul, chmada por aqui de Serraçåo. Nåo dá pra enxergar nada, nenhum palmo pra frente, mas por isso mesmo temos a desculpa de nåo precisar sair nunca da nossa incrível pousada. Cada chalé tem lareira, que fica acesa permanentemente. Com delicados e educados funcionários que vem até aqui para reascende-la se precisarmos, a qualquer hora do dia ou da noite, o lugar é cheio de mimos. Com esquadrias lindas antigas, tijolos de demoliçåo, lençois bordados, uma sala em frente a lareira deliciosa, calefaçåo na medida, banheira de hidromassagem, que cabem duas pessoas, lindos abajures, cd da pousada, TV LCD (que esperamos usar muito pouco) e ainda um segundo piso que enche de charme a nossa cabaninha, o lugar é inacreditável. Fora as lavandas espalhadas por toda a propriedade, que sao colhidas e deixadas em pontos estratégicos do chalé, toda vez que saimos e voltamos com a surpresa dos mimos de um lugar pensado pra deixar os hóspedes felizes. Ontem encontramos depois do jantar biscoitos e chocolates, com um chá digestivo delicioso para degustarmos antes de dormir.
Sem falar no restaurante absolutamente romântico de um bom gosto absurdo, com um cardápio de fazer inveja a muitos lugares em SP.
Entendi bem o que significa roteiro do charme depois dessas mini-férias. Se tiver um tempinho, venha explorar a serra gaúcha, voce nåo vai se sentir na Europa como dizem por aí, porque vai ouvir aquele portugues carregado de um interior feito por Italianos e Alemåes que parou no tempo. E isso faz toda a diferença.
E se tiver disposiçåo de curtir um silêncio reparador misturado a um perfume suave de lavanda, passe pelo menos um dia aqui no La Hacienda. Escolha bem a companhia, porque este lugar merece ser aproveitado com alguém muito amado.

http://www.lahacienda.com.br/

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Hoje, amanhå


Estou sozinha em casa numa noite qualquer. Pensei, pensei e pensei no que me daria prazer fazer que nåo seria tåo agradável de fazer a dois. Nåo consegui lembrar. E pensei muito.
Lembrei de todos os dias em que fui solteira por um ano e tanto e pensei, pensei, pensei tentando lembrar. Nåo achei. Nåo achei nada que pudesse me dar um prazer enorme hoje, e que estaria fazendo quando morava aqui sozinha.
Vejo gente sentindo saudade. Saudade da infancia, saudade da antiga relaçåo com aquela namorada, do primeiro amor, emprego, de pessoas que se foram, de ontem, do passado. Minhas fases foram absolutamente vividas. Os meus amigos de ontem nåo såo os mesmos, porque els também evoluiram. Os de amanhå nåo seråo os de hoje, porque eles evoluiråo e ainda viråo outros. Cada dia enquanto estive só aqui nesta casa foi tåo absolutamente bem vivido que nåo me deixou saudade, me deixou a felicidade de quem viveu cada dia como se fosse o último. E no meu presente, este que escolhi mesmo tendo uma vida tåo repleta até entåo, nåo me deixa com a sensaçao de que falta qualquer coisa. Porque nåo falta, sobra.
No dia de hoje falta o próprio presente. E o futuro, é claro. Por isso só tenho saudade hoje, de amanhå, porque meu presente e meu futurio eståo a alguns kilometros e morro de saudade.
Volta.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Darkness


Engraçado como certas seqüências de acontecimentos tem mais poder do que outras. Algo que em determinado momento da vida passa de forma imperceptível, em outros momentos simplesmente gera dor e angústia. Aquela sensação de que nunca mais vamos ver a luz de novo. Cada vez mais acho que mudamos, mudamos e mudamos, sem parar, todos os dias. E sempre evoluímos de alguma forma.
Cada vez mais tento racionalizar os motivos que me angustiam ou me deixam triste, principalmente quando não tem a ver com o coração, com a nossa casa e com as nossas crianças lindas. Fora do nosso mundo, tento racionalizar, entender e caminhar, pra frente de preferência (aliás essa sensação anda rara). Mas hoje, talvez seja retardada tudo bem, cheguei a conclusão de que existem fatos que disparam um mecanismo em algum lugar da gente que simplesmente deprimem. Deixam triste, com vontade de chorar, com uma dorzinha constante e um incômodo que pra mim é impossível de conviver. Será que se isso durar mais tempo pode ser chamado de depressão? Não sei e adoraria não saber.
Mas parece que de alguma forma temos um botão que se apertado, o foda-se é ligado automaticamente. E óbvio, nada mais importa que não sair desse lugar escuro.
Ainda bem que temos esse outro mecanismo, que às vezes fica escondido bem lá no fundo e que é dificil de achar. Mas é só apertá-lo pra ficar numa boa de novo, não importando o que está acontecendo no mundo externo ao nosso. Quero acreditar que achei esse outro botão no dia de hoje, e que pra essa sucessão de bizarrices meu on já está ligado bem verdinho, pronto pra me deixar feliz pelos proximos dias. E o melhor de tudo é que esses dias que estão chegando chamam-se sábado e domingo e serão passados no Rio.

Imagem perfeita para a semana. Me sinto nadando numa linda piscina de terno e gravata. Me sinto vestida para um show do New Order em Londres no ano de 1982, mas tendo que fazer churrasco no pátio de casa. A diferença entre a moça e eu é que ela parece plena, e eu estou longe disso.

- Importante: nada disso tem a ver com a minha vida pessoal, menos mal.