quarta-feira, 3 de março de 2010


Existe uma New Jersey inteira dentro de NYC.
Estava acostumada a ir pra Alemanha ultimamente a trabalho. As mulheres por lá são basicamente tão descoladas que parecem um pouco sujas, com aquele cabelo seboso, e aquelas roupas soltas meio sem cor. Quando aparecia uma em alguma reunião que tirava o seu casaco e estava elegantemente vestida, eu fazia questão de fazer um belo elogio. Afinal estávamos em Hamburgo, berço de uma grande empresa de beleza , apesar do frio alemão e da cultura da falta de vaidade. Troquei de trabalho, de empresa de beleza e de país onde nossa matriz e o cliente estão sediados. Mas apesar de tudo acontecer em NYC e graças a Deus, meu cliente ser uma baita marca de cosméticos mundial, é impressionante como dentro das empresas o pessoal não tem vaidade alguma. Da porta pra dentro, as roupas combinam e muito com aqueles aqueles carpetes beges.
Aquele lugar incrível que esbanja moda, com sobreposições descombinadas e absurdamente descoladas não faz parte do meu mundo New Yorker. No meu mundo, as mulheres andam de saia sem corte pelo joelho, meia de seda COR DA PELE (SIM, COR DA PELE) e aqueles scarpins de senhoras idosas com o calcanhar de fora com salto puído. Isso pra não falar da combinação de beges, azuis, marrons, tudo que tenha a menor graça possivel combinado com algo sem graça, e casaquinhos quaisquer horrorosos que caem sobre aquelas carcaças sem atitude.
Fora o fato, muito bem observado pela minha cliente brasileira cheia de estilo, de cada uma das mulheres ter apenas UM casaco que é usado a semana inteira, sem falhar um só dia. Isso também vale para gorros, cachecóis e luvas, que também nessa cultura nada New Yorker, não precisam ser variados e muito menos combinados com nada. Me senti sentada em reuniões na Minnesota de dezoito anos atrás, onde eu via minha host mother sair pra trabalhar e me perguntava de que planeta ela tinha surgido. Agora me pergunto onde foi que New Jersey cruzou as pontes e se instalou exatamente dentro das companhias em Nova York, em plena Avenida das americas, quase com a quinta e com a Madison, ao lado das Pradas, Guccis e Versaces.
Ouvi lá pelas tantas de uma colega de agencia a seguinte frase: Fashion stays home in the winter. Até aí tudo bem, afinal qualquer coisa pode ser chamada de fashion ou não. Mas e a vaidade? Fica em casa por uma temporada inteira também? Preguiça, não?

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Morandi


Sigo em NYC. Na minha jornada bem trabalhosa de trabalho. Achei que teria uma viagem mais leve, por ser a primeira com meu novo cliente. Mas que nada, me enganei total, está rolando rock N´Roll pesado, mas pra isso estou.
Achei que chegaria destruída ontem no hotel a noite, morrendo de sono. De fato estava acabada, mas minha agitação era tamanha que o melhor negócio foi mesmo encarar a reserva no Morandi e ir conhecer. O restaurante foi super em indicado, e é dos mesmos donos do Pastis e Bathazar, o que já no mínimo torna o lugar obrigatório de se conhecer.
Lá fomos nós felizes e contentes, tudo perfeito. No momento em que colocamos o pé no lcal já vimos que tinhamos conseguido ouvir um ao outro pela última vez minutos antes. O restaurante é absurdamente barulhento, cheio (isso já imaginava), o atendimento é bem mais ou menos, sem nem comentar muito do garçon ter dito que só poderiamos pedir entrada junto com os pratos principais. Isto é, eles decidem o ritmo em que comemos. Não curti.
As pessoas falavam num tom de voz muito acima da média, o lugar é enorme, bem italianinho em termos de decoração, e a comida sinceramente tinha gosto a nada. Zero tempero, zero personalidade. E nem foi azar, provei a do Fefê e mantive minha opinião.
Ganhou nota 4, só porque é em NYC. Se fosse em SP, ganharia um 2.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

DBGB


Cá estou eu, em NYC. A trabalho, feliz da vida, e finalmente com uma chance de passar alguns dias também aproveitando um pouco. Afinal consegui um dia antes e um depois do trabalho. Delicia.
E como costumo lembrar que para uma NYC, tem umas cinco Venezuelas, quero aproveitar todos os segundos livres, inclusive jantando a noite também na companhia da minha cliente. Que aliás, isso é um capítulo a parte, nada como ter uma cliente bacana, descolada e super agradável. Uma benção de fato.
Ontem depois de conhecer os laboratórios em New Jersey do meu cliente, fomos para o hotel descansar entre 18h e 20h. Estava acabada, mas ainda assim criei forças para levantar abaixo de insistência para irmos cumprir a nossa agenda de reservas.
Nosso destino foi o DBGB, do chef modernetes Daniel Boulud, incrível incrível incrível. O lugar é descolado e super aconchegante, todas as estantes que estariam numa adega, ou cozinha, com pratos , copos, talheres, e vidros de coisas estão expostos e fazem parte da decoração. O cardápio é absolutamente contemporâneo e oferece uma mistura de coisas que eu não saberia colocar numa mesma categoria. Eu comi uma massa com caviar e camarões, Fefê vitela e Patricia já não lembro. Tudo ótimo, decoração incrível, e apesar da hostess ter uma atitude de moça de vida fácil (ai que vontade de resumir melhor isso) nada como chegar num lugar com reservas e a mesa estar pronta em cinco minutos, com um super atendimento, drinks deliciosos e comida incrível . Um luxo.
Vale a pena.
WWW.DBGB.com
299, bowery (entre Houston e first st.)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Babies - the movie


Um dos esportes prediletos do pessoal aqui de casa (Pai e filhos) é ver trailers na Apple TV. Um dos últimos descobertos é o do filme Babies. Tem cara de documentário, mas só o trailler já vale a pena. Tudo uma graça: trilha, fotografia, astral e pelo visto, as próprias histórias de bebês em quatro lugares radicalmente diferentes do mundo.

Vale dar uma olhada no trailer.

http://www.youtube.com/watch?v=db3Fifi8JiY

sábado, 23 de janeiro de 2010

Chefes



Depois de cinco anos (e quinze ao todo trabalhando) volto a ter um chefe. Engraçado ter podido aproveitar no meu último trabalho todas as oportunidades de simplesmente me sentir sozinha, e de fato ser. Mas nåo de direito, é claro.
Tive tudo de bom e tudo de ruim dessa experiência, ao mesmo tempo, basicamente sem KY em muitos momentos. E em muitos outros com a absoluta certeza de que muitas coisas só aconteceram porque estava lá, com energia, corpo e alma. E pulso, claro.
Agora, mudei (também) para ficar perto de um sujeito no qual acredito, no qual confio na postura, no qual admiro a coragem e admiro a carreira. Nåo dá pra saber como será a convivência, e pode parecer estranho pra muitos, mas estava louca por um chefe. Nåo pra ser mandada, até porque cada dia que passa está mais claro que ele nåo me contratou pra isso. Mas pra ter a troca, o aprendizado, o meu olhar de admiraçåo pra um profissional. Fazia tempo que nåo tinha a maravilhosa sensaçåo de entender a cada conversa porque aquele ser é meu chefe, nåo meu par ou subordinado.
Adoro ver coragem, adoro ver que existe gente com coragem, e que usa a coragem no dia-a-dia. Que diz o que pensa porque de fato pensa. Porque tem referências, vivéncia e segurança. Odeio as palavras pelas palavras, o vazio, o medo de dizer nåo e o medo de dizer sim. Como diria RicardoTaunay (possivelmente um dos grandes chefes que tive): o medo de perder tira a vontade de ganhar.
Entåo bem vinda nova vida profissional, e felicidades ao meu novo chefe. Certamente nåo vai ser fácil. Mas com certeza será bem bom.

Sábado a noite em casa

FF Trabalha, Luiza e Faisca dormem. Eu, aqui feliz.


Foto do (muito bacana) Don't Touch My Moleskini.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

no parquinho no primeiro dia do ano

Primeiro dia útil do ano e eu de volta do feriadao com minha família. Crianças de férias, e eu sem trabalhar por apenas um dia útil.
Resolvi fazer de conta que sou dona de casa full- time e tentei sentir o gostinho de nåo trabalhar (fora) porque trabalhar é pouco quando se tem duas crianças. Levantei para fazer café ao meu marido, vesti a Luiza e dei café da manhå, depois acordei o Rafa e sentei na mesa com ele, conversei com a empregada sobre as mil coisas que ja havia conversado e nunca foram feitas, almocei com eles e Fefe. Depois praça Buenos Aires com direito a pazinhas, baldes, areia, lama, fraldas trocadas na praça, crianças imundas e måes, ah as måes... esse é um capítulo a parte. Comprei o Estadåo, a Veja, e lá fiquei curtindo as crianças e tentando interagir somente com eles. Mas måes em grupos numa segunda-útil a tarde com filhos que já caminham (afinal se estivessem de lincensa maternidade os filhos nåo estariam brincando) såo realmente pessoas com as quais nåo convivo em geral, por pura falta de oportunidade é claro. As vezes em momento de muito estresse no trabalho resolvo imaginar como a vida seria maravilhosa cuidando dos filhos, com a vida que tenho mas sem a responsa do trabalho. Mas vejo o quanto é positivo ter porque ler jornal, revista, sair de casa, me arrumar, ter no minimo a obrigacao de ser informada, ter assunto e me manter interessante. Mesmo sem querer as vezes. Sempre imagino mulheres lindas, bacanas, com tudo isso, mas só cuidando da casa, que diga-se de passagem nåo é ' só', afinal que trabalheira. Mas porque as måes do parquinho só falavam do quanto os filhos såo malcriados, eståo insuportáveis, do quanto os maridos chegam tarde, de como é dificil cuidar da família e todas as mazelas da vida de dona de casa? Foram várias as que se juntaram as duas sentadas com o maior numero de crianças e brinquedos e o assunto era sempre o mesmo. Nos meus sonhos dourados ficar apenas com os filhos nåo é só terror e pänico. Tem muito prazer, alegrias e pontos positivos. Como tudo, aliás. Trabalhar e ter uma profissåo que todo mundo acha interessante (inclusive eu) também tem prós e obviamente contras.
Mas olhando para aquelas mulheres nao entenbdi muito bem a queståo toda. Todas pareciam saudáveis e inclusive pelo bairro e trajes, bem de vida. Nåo entendo porque é tåo mais fácil sentar num linda praça (no caso a Buenos Aires) num lindo bairro, com crianças saudáveis e reclamar e reclamar. É tao mais saudável ir atrás do que se quer, ou pelo menos tentar saber o que quer e ir atrás, que essa ida ao parquinho de hoje foi bem útil pra mim. Saber que amanhå vou para um grande novo desafio na minha carreira que me tomará tempo e energia me deixa ainda mais feliz, porque quero tudo, e de preferencia ao mesmo tempo. Felicidade completa, com filhos, trabalho, enteados, marido e todos dando bastante trabalho as vezes, e as vezes somente prazer. Mas basicamente prazer, porque crer que se pode ter tudo e tentar ter, já é muita coisa e prazeiroso suficiente.